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14 março 2012

Mercado Imobiliário em Angola: a crescer, em todas as frentes

Mercado Imobiliário em Angola: a crescer, em todas as frentes

A Abacus Savills, desde 2010 em Angola, apresentou o seu estudo sobre o mercado imobiliário de Angola, o Property Market Report 2012. Um mercado de 20 milhões de habitantes, Angola apresenta um crescimento do PIB previsto para 2012 de 10%.

Com petróleo, diamantes, madeira e muitos outros recursos naturais de elevado valor estratégico, Angola tem vindo a consolidar a sua posição como um dos principais destinos do investimento estrangeiro interessado no contexto africano.

A média de inflação estimada no ano de 2011 é de 15% e em 2012 são esperados valores na ordem dos 13%. Os principais parceiros de Angola são, em termos de importação, os Estados Unidos da América (EUA), a Coreia do Sul e Portugal. Nas exportações, os principais mercados são também os EUA e ainda a China e a França. A economia chinesa tem tido um papel fundamental em Angola, especialmente pelas linhas de crédito abertas, que se têm revelado fundamentais para as obras estruturantes a realizar no país.

Segundo os dados indicados, estima-se que em 2025, Luanda tenha uma população com cerca de 14,7 milhões de habitantes, o que significa que 54% da população angolana estará a viver naquela cidade. Os restantes 46% da população estarão distribuídos um pouco por todo território nacional, estimando contar nessa data com 27 milhões de habitantes. A necessidade de alteração da estrutura de Luanda é, pois, uma evidência, só dessa forma será possível que a cidade sustente o crescimento previsto da sua população.

Sector imobiliário angolano: um mercado muito especial

Pode-se afirmar que o sector imobiliário Angolano continua a centrar-se quase exclusivamente na cidade de Luanda, embora existam outros pólos, numa escala dificilmente comparável, como o Lobito, Benguela, Soyo, Cabinda, ou o Namibe. Estes outros pólos poderão vir cirurgicamente a desenvolver-se, sempre alicerçados no desenvolvimento económico, como a instalação de equipamentos relacionados com a indústria petrolífera, para directo apoio dos quadros que para essas localizações se deslocarão.

Muito se tem comentado sobre qual o real estado do mercado angolano. Na opinião da Abacus Savills, este continua no seu caminho para a maturidade, atestado pela exigência dos clientes/utilizadores dos activos imobiliários. Esta exigência resulta de um limitado aumento da oferta em alguns segmentos imobiliários.

Algumas características principais do sector imobiliário angolano são:
- Em determinados segmentos tem-se vindo a assistir a um aumento da oferta, pese embora limitada;
- Poucos terrenos com escritura colonial registada (de posse plena);
- Insegurança jurídica na transmissão da propriedade, especialmente terra;
- Falta do Ordenamento do Território e de claros Planos Directores para as Cidades, pese embora estejam a ser feitos esforços nesse sentido pelas entidades responsáveis;
- Necessidade de infra-estruturas básicas, sendo este um tema de difícil e complexa resolução, podendo a prazo vir a limitar novos projectos no centro de Luanda; Redução do número de construções anárquicas;
- Processos burocráticos e extrema complexidade para a obtenção das Propriedades Horizontais, na Inscrição nas Finanças e no Registo da Conservatória.

Sendo que as características predominantes do mercado se têm vindo a manter ao longo dos últimos 2 a 3 anos, constata-se um dado dominante, que tem influenciado negativamente o mercado e que se traduz na ideia - definitivamente errada no conjunto, certa em parte - de que há excesso de oferta imobiliária e os produtos são caros.

Opiniões como esta têm sido produzidas normalmente por entidades externas ao mercado, formadas com dados insuficientes e muitas vezes incorrectos, pois não atentam a elementos determinantes para uma correcta análise do sector, não estando consideradas as localizações, qualidade de construção, tipo de produto ou mesmo o subsegmento em causa (escritórios/comércio/logística/industrial).

Uma promoção imobiliária em Angola pode demorar entre 4 a 6 anos, desde o momento da posse da terra até à produção final do produto imobiliário. Assim, este segmento económico, é um dos mais difíceis e de maior risco da actividade económica, pois qualquer alteração na conjuntura interna ou externa, como as verificadas, nos últimos 2 a 3 anos, podem ter uma influência determinante no resultado final de uma promoção imobiliária.

Estas, quer em Angola ou em outro país, dificilmente estarão preparadas para grandes alterações como as que se verificaram e a sua adaptabilidade a novas realidades é muito difícil. É precisamente isto que se passa hoje com alguns produtos no mercado de Luanda.
Muito se tem falado sobre as dificuldades no escoamento de determinados produtos. É um facto que o ritmo a que assistíamos - em especial no que respeita o segmento de topo do mercado residencial - decresceu. Mas esse decréscimo deve-se ao tipo de investidor/comprador para esse produto em concreto, que é muito sensível a alterações económicas.

Mercado Residencial angolano torna-se mais exigente

O mercado residencial em Luanda continua bastante activo especialmente quando comparado com outros mercados internacionais. Contudo, enfrenta hoje um novo paradigma. A mudança comportamental da procura, quer da doméstica, como também, e principalmente, da internacional, está em linha com as exigências dos mercados internacionais evoluídos, em que a “due-diligence” começa a ser parte normal dos processos de contratação de instalações.

Confirma-se que, hoje em dia, os compradores exigem ver e «sentir» o produto final, sendo que para esta mudança muito contribuiu a não entrega de alguns produtos, que por algum motivo, não se concluíram, como também uma enorme desilusão de algumas áreas físicas dos espaços que terão sido comprados em planta, invariavelmente considerados de pequena dimensão.

O modelo de negócio da promoção imobiliária já começou a mudar, com uma Banca muito mais exigente, muitas vezes apoiada em peritos externos na aprovação dos projectos. Os Promotores começam a perceber que terão de aportar mais capital próprio aos negócios, dado que o volume de vendas em planta é hoje reduzido, tornando-se decisivo o apoio de profissionais na componente comercialização e marketing. Ou seja, avança-se para o normal modelo de negócio internacional. Em paralelo com outros mercados internacionais, a nova realidade descrita irá naturalmente seleccionar os intervenientes do mercado.

Outra constatação prende-se com a grande mudança que começou a afectar transversalmente o mercado imobiliário angolano – incluindo promotores, banca, consultores e todos os seus restantes agentes. O mercado deixou de ser na sua maioria de clientes nacionais passando para os clientes empresariais internacionais, preferindo estes o arrendamento à compra, mesmo apresentando Angola, pay-back de 6 a 7 anos, na comparação da compra vs arrendamento.

Com esta mudança começam a surgir os Investidores Imobiliários que adquirem os activos arrendados, sendo estes principalmente Privados, começando contudo agora a surgirem os Investidores Institucionais Angolanos, acreditando que em 2 a 3 anos, com uma adequada Lei do Arrendamento, agilizando a questão dos Licenciamentos / Propriedade horizontal, resolvendo a questão da Inscrição dos imóveis nas Finanças, do Registo das propriedade nas Conservatórias, com a estabilização do mercado e do nível de risco do país, poderão vir a entrar Investidores Internacionais.

O mercado residencial da Grande Luanda, caracteriza-se por:
- Escassez de oferta residencial para a emergente classe média Angolana, principalmente no centro da Cidade, prevendo-se contudo o surgimento de bastante oferta na periferia;
- Alguma oferta destinada ao segmento alto para venda no centro da Cidade;
- Não ter sido ainda colocado em prática o tão falado projecto de Financiamento à Aquisição de Habitação, muito por causa do problema da obtenção da Propriedade Horizontal nos activos imobiliários;
- A existência de projectos destinados ao segmento baixo, patrocinados pelo Estado, como forma de reorganização do território.

Realizada uma análise da oferta versus procura, podemos delimitar Luanda em várias zonas:
- Centro de Luanda / Luanda Velha – Ingombotas e Marginal, uma das zonas com maior procura e desenvolvimento, com construção de edifícios de dimensão significativa a nível residencial, tais como as Torres do Carmo ou a Torre Ambiente.
- As zonas mais procuradas, as denominadas zonas nobres, são Miramar, Bairro Azul, Alvalade, Cruzeiro, Vila Alice, Cidade Alta e Baixa de Luanda. Começando a surgir uma nova zona na Cidade, a Praia do Bispo, zona principalmente de moradias, destacando-se o Condomínio do Bengo ou a Torre Lara;
- Talatona/Luanda Sul – a procura de habitação centra-se nos condomínios construídos para habitação que apostam nos segmentos alto e médio alto. De entre os vários empreendimentos salientam-se os Terraços do Atlântico, o Condomínio Imbondeiro, o Condomínio Kyanda e as Residências de Talatona;
- Camama, Viana e Benfica – zonas periféricas de Luanda, localizações dirigidas essencialmente ao segmento médio e médio baixo, com valores inferiores à zona de Talatona. São zonas de crescimento de projectos de escala, como os Jardins das Rosas, o Projecto Kilamba Kiaxi, ou as Vilas de Luanda, junto à Filda.
- Zona Norte - de franca expansão, com a apresentação pública do projecto do Sambizanga, irá necessariamente ser uma zona de excelência num horizonte temporal de curto ou médio prazo. O condomínio Ocean Village continua a ser a referência da zona.

No que se refere ao cada vez mais importante mercado de arrendamento residencial, Luanda caracteriza-se, actualmente, por uma clara falta de oferta de espaços adequados. Hoje em dia já não bastam os investidores particulares, a entrada de investidores Institucionais irá desenvolver positivamente o mercado no seu todo, havendo contudo muito por fazer nesta área.

Ainda com forte actividade, existe o «mercado» de Guest-Houses que, para muitas organizações, principalmente as de escala reduzida, permite juntar os colaboradores num mesmo espaço, normalmente com todos os serviços incluídos. Outra característica deste segmento prende-se com a exigência dos proprietários no recebimento das rendas antecipadas, no equivalente de 6 a 12 meses de renda, para contratos médios de 3 anos.

Já nos produtos usados, é comum o inquilino ficar responsável pelo pagamento de obras de adaptação e remodelação, deduzindo-se na renda os investimentos realizados. Nestes casos, os proprietários pretendem curtos prazos de arrendamento para que, findo o prazo, possam colocar o activo no mercado por valores mais elevados.

A procura no mercado imobiliário é transversal a vários grupos sociais. È possível identificar quatro grandes grupos responsáveis pela procura:
- Âmbito Nacional - Altas patentes militares, membros do governo, empresários, funcionários da banca e petrolíferas;
- Expatriados - ONG’s, petrolíferas, embaixadas e diamantíferas;
- Empresas de serviços em geral, empresas de construção;
- Emergente classe média Angolana do segmento empresarial dos serviços.

Oferta em ajustamento

A entrada de várias multinacionais, algumas líderes mundiais dos sectores de actividade onde actuam, permite afirmar que Angola é um país com procura para investir no imobiliário e isto pode ser um dado importante para os agentes intervenientes do mercado.

Esta procura situa-se a nível das tipologias T1 e T2, essencialmente para arrendamento e por determinados montantes que têm estabelecido nos “Business Plan”, variando em função dos sectores de actividade de cada empresa.

A generalidade dos projectos conjuga a vertente residencial com serviços e comércio, permitindo evitar perdas de tempo nas deslocações no trânsito de Luanda, por vezes complicado É por isso, uma mais-valia a conjugação de duas vertentes, oferecendo a possibilidade de poder residir e trabalhar no mesmo condomínio, idealmente com algum comércio associado.

Pode-se concluir que a generalidade da oferta residencial continua algo desajustada da procura respectiva, dado que se focaliza maioritariamente no segmento alto, onde o ritmo de absorção está hoje em dia menor. Em relação ao produto médio e médio alto, o desajustamento entre preços, tipologias e áreas está a ser corrigido para corresponder à Procura.

É nos edifícios usados que efectivamente se encontram alguns acertos nos preços, resultantes da falta de maturidade dos proprietários, que não estão preparados para pequenas oscilações na procura. Estamos em querer que caso soubessem esperar, o valor dos activos manter-se-ia.

A Abacus Savills conclui que o mercado empresarial para arrendamento, mesmo mantendo uma forte procura, dispõe de uma oferta escassa e desadequada, havendo assim espaço para investir. Pelo exposto, não há crise, deve-se falar antes em ajustamentos do mercado – natural, de resto – e na falta de resposta às solicitações existentes.

Mercado de escritórios: apenas 4% de “vacancy rate”

O segmento de escritórios de Luanda tem um comportamento idêntico ao de qualquer outro lugar no mundo: vive do crescimento económico e com esse crescimento dá-se um natural aumento das organizações traduzido num maior número de pessoas e na necessidade de maiores espaços de trabalho.

Tem-se vindo a assistir à particularidade de se estarem a instalar multinacionais, algumas líderes mundiais dos segmentos onde actuam. Tem ainda a particularidade das empresas estarem deficientemente instaladas em edifícios adaptados. Se a isso acrescentarmos uma deficiente oferta no mercado, diríamos que estão reunidas todas as condições para se investir neste mercado.

O stock do mercado na «Grande Luanda», em edifício após os anos 80, estará estimado (para 2012) em cerca de 1.000.000m², dos quais cerca de 935.000m² ficam em Luanda Cidade. Talatona contará aproximadamente com 65.000m². A Vacancy Rate aproximada é de 4%, o que significa que em termos de áreas disponíveis para o total do mercado, não haverá mais de 40.000m² disponíveis, continuando a ser uma das mais baixas taxas de disponibilidade no mundo.

A zona prime e preferencial de escritórios em Luanda, situa-se na Baixa e Marginal. Nesta encontram-se localizados os principais departamentos governamentais, sedes de bancos e seguradoras e sedes de empresas (sobretudo as ligadas ao sector petrolífero) de onde se espera que nunca venham a sair. Aqui encontramos projectos como as Torres do Carmo, a Torre Ambiente, as 3 Torres, Edifício Baía e a Torre Elisée, o Down Town Center, entre outros.

Por sua vez, a dita zona central - a que delimita a prime - tem sido a localização escolhida para o desenvolvimento de alguns projectos como é o caso do Condomínio do Bengo, o Edifício Rei Katiavala, do edifício Metropolis e da Torre Lara, e ainda a localização escolhida para a nova sede do Banco Sol, do BNI, do BCA, além do BFA e do Millennium BCP.

Começa a existir hoje uma nova localização, a Praia do Bispo, onde se encontram a Sede do BPA, o CaixaTotta, ou a Sede da Chevron. Esta localização tem ainda francos problemas estruturais, principalmente de esgotos e de electricidade. Na denominada zona de expansão, Talatona, tem-se vindo a assistir à instalação de empresas do sector de comunicações e novas tecnologias.

Mercado retalhista acompanha aumento da riqueza global

Com o aumento da riqueza global em Angola, a população tem vindo a ter melhores condições de vida, a pobreza tem vindo a diminuir e o poder de compra a aumentar. No segmento do retalho, torna-se determinante - para que exista uma boa performance - que se verifique uma melhoria do poder de compra de todas as classes.

O segmento retalho em Angola divide-se hoje em três diferentes conceitos: Centros Comerciais; Retail Parks; Lojas de Rua.
Quanto a Centros Comerciais, já existem no mercado três investimentos e espera-se para breve a inauguração de mais um ou dois para 2012.

Num mercado a funcionar em pleno, existem, presentemente: O Belas Shopping, inaugurado em 2007, foi o primeiro espaço de grande dimensão a surgir em Angola, mais concretamente na zona de Talatona. Conta com 100 lojas e com 8 salas de cinema. O Millennium Shopping, segundo Centro Comercial de Angola, inaugurado em 2008 no Lubango, conta com cerca de 40 lojas e com a curiosidade de ter sido lançado no mercado para venda e o Ginga Shopping, situado em Viana e com 70 lojas.

A inaugurar entre 2012 e 2014, seis empreendimentos: O Luanda Towers Shopping integrado num projecto habitacional e Aparthotel, com aproximadamente 30.000 m², o Luanda Shopping, Integrado no Projecto Comandante Gika, que contará com cerca de 120 mil m² distribuídos por 208 lojas, 6 salas de cinema e um health-club. O Shopping Fortaleza, empreendimento localizado na marginal, na proximidade da Fortaleza de Luanda com 90 lojas, incluindo cinemas. O Atrium Nova Vida, situado na zona sul, com 35 lojas previstas, o Shopping do Kinaxixi, empreendimento comercial a ser implementado no antigo mercado do Kinaxixi, com 50.421 m² e o Shopping Molemba, junto à refinaria, com uma área aproximada de 30.000m².

Os Retail Parks, uma sequência natural dos Centros Comerciais, começam hoje a surgir no mercado. O primeiro a ser lançado no mercado foi o Lobito Retail Park, com a característica de ser colocado no mercado para venda, o que contraria as tendências internacionais do modelo de gestão futura. Encontramos também em Viana o Luana Retail Park e num futuro próximo o Nova Viana Retail Park. Uma adaptabilidade foi o Viana Park, em que parte do mesmo poderá ser entendido como Retail.

Outro mercado com forte procura é o das lojas de rua. São evidentes as dificuldades em encontrar lojas bem localizadas, muito pela expansão das redes bancárias. Hoje é possível encontrar em Luanda nas principais ruas da cidade, lojas que vendem algumas das emblemáticas marcas internacionais, desde a Boss, Adidas, Nike, Lacoste, Porche, Porcelanosa, etc.

Curiosamente, contrariamente ao resto do mercado imobiliário mundial, as lojas de rua têm em muitos casos, valores de transacção (arrendamento ou venda) inferiores aos valores de escritórios e, por vezes, aos de habitações.
Um factor importante que irá influenciar positivamente este segmento, será a entrada no mercado de muitas empresas da área da distribuição, podendo estas vir a funcionar como âncoras nos projectos comerciais.

Em síntese, além de uma forte procura por bons espaços comerciais a nível de lojas de rua, existirá em Angola a necessidade de instalar novos conceitos de distribuição.

Mercado industrial e logístico será o sector com maior potencial de crescimento

Apesar do forte compromisso e investimento Governamental no segmento industrial produtivo e de transformação, Angola por força do seu forte crescimento, irá necessariamente ter de continuar a importar um conjunto essencial de bens e serviços.

Assim, o segmento imobiliário industrial será, dentro dos segmentos imobiliários, aquele com maior espaço para crescer. Objectivamente, além das emergentes necessidades imobiliárias internas, continuarão a existir necessidades de armazenamento por força das importações que, quando aliadas à quase inexistência de produto imobiliário industrial ou de armazenagem, oferecem uma grande oportunidade de investimento aos promotores.

Naturalmente a questão localização é determinante para o sucesso de qualquer parque ou plataforma logística, considerando ainda a dimensão do país, e a situação geográfica no continente, que obriga a pensar de forma decisiva, em produtos imobiliários interligados com os Portos Marítimos e com o Caminho de Ferro.

Dada a extensão do país e suas actuais características de funcionamento e operacionalidade é correcto afirmar que idealmente toda a estrutura logística de Angola terá de ser alicerçada nos três dos quatro portos marítimos existentes. A interligação desses portos com o transporte ferroviário será, no futuro, determinante para o desenvolvimento sustentado de Angola. Também a construção de novas estradas entre as províncias é outro dos factores determinantes para este segmento, constatando-se a intenção de entrada de operadores logísticos internacionais.

Hoje, o Imobiliário Logístico e de Armazenagem está associado maioritariamente à indústria petrolífera, sendo a maioria dos armazéns “owner occupier”. A procura de armazéns está progressivamente a aumentar, particularmente nas zonas de proximidade dos portos. Estes são a porta de entrada de mercadorias em Angola, mas sofrem de um deficiente funcionamento – o que se verifica facilmente com a constante linha de barcos fundeados ao largo de Luanda.

Em Luanda, para além da mencionada oferta industrial na proximidade do porto, destacam-se ainda as zonas de Viana, Benfica, a Estrada para o Cacuaco, e a Estrada para Catete, prevendo-se a saída de vários projectos como o Viana Logistics Park, outro na Estrada de Catete, o I9, e ainda um outro junto à refinaria, o Mulemba Park.

De entre os promotores que se encontram direccionados para este segmento destacam-se a Dinocs, Promopark, Invimosa, NNN, e o próprio Governo Angolano.

Será correcto dizer que dos vários segmentos do mercado imobiliário, este é, provavelmente, o que se encontra num estado mais embrionário, oferecendo, exactamente por isso, mais oportunidades dado que falta todo o tipo de produto, desde a Logística à
Distribuição. O cross-docking é ainda um tema muito distante.

Mercado hoteleiro prossegue desenvolvimento

Angola, como país com bastantes atracções naturais, tem procurado fazer um esforço para desenvolver o segmento do Turismo. Prova disso é o surgimento de alguns Resorts e Eco-resorts, principalmente junto a Luanda, mas não só, como é o exemplo do Pululukwa Resort & Spa, na Mapunda, Lubango.

Outro subsegmento do turismo, principalmente para um número de expatriados existentes em Angola e que agora se irá desenvolver fortemente, é o do golfe, com o surgimento do primeiro campo de golfe relvado em Angola, o Mangais Golf, (o primeiro de três, projectados no Mangais Eco Resort), na Barra do Kwanza.

Estão ainda projectados alguns campos mais, como o do Bom Jesus, apresentado no Salão Imobiliário de Luanda - SIMA. Estes projectos, invariavelmente terão associados a componente hoteleira e a componente imobiliária. Será importante para o sector ter cinco campos em actividade, de forma a criar um destino de golfe.

Em Luanda, em 2011, assistiu-se à abertura de duas unidades hoteleiras, o Hotel Baía (4 estrelas) do Grupo Teixeira Duarte, na Praia do Bispo e o Hotel Ilha (3 estrelas), na Ilha de Luanda.

Para 2012, prevê-se a abertura do Hotel Diamante (4 estrelas), junto ao Porto de Luanda, o Hotel Sana (5 estrelas) no centro da cidade, esperando-se também a abertura do Hotel VIP Grand Luanda (5 estrelas), havendo uma interrogação relativa à unidade hoteleira junto ao Eixo Viário, que se supunha da cadeia Intercontinental (5 estrelas). Com as aberturas destas unidades hoteleiras prevê-se uma normalização dos valores diários dos quartos na capital angolana.

Investimento imobiliário: 2012 marca o nascimento deste sector em Angola

O ano de 2012, prevê-se que seja o ano de arranque efectivo do investimento imobiliário institucional, com as sociedades gestoras até agora em constituição, a começarem a operar efectivamente no mercado.

Continua para as Sociedades Gestoras uma grande oportunidade de negócio, pois mantém-se um número importante de entidades individuais e colectivas detentoras de um número significativo de activos imobiliários arrendados e que terão de ser motivados para os benefícios de terem os activos sob Gestão de uma Sociedade Gestora. A prazo, irão perceber a vantagem de terem entidades profissionais que lhes desenvolvam a Gestão Patrimonial Imobiliária. Esta poderá passar pelo chamado Property Management – Gestão dos Activos em termos administrativos, de manutenção e conservação - ou pelo Asset Management, ou seja, a Gestão Administrativa, Contabilística, Financeira e Gestão de Clientes.

Contudo, é necessária uma decisiva intervenção do Governo na conclusão da regulamentação e na criação de incentivos fiscais que motivem o segmento de actividade. Esta actividade, pode-se dizer que em muitos casos é o fim de uma linha, onde estiveram envolvidos a indústria de construção e imobiliária, sendo por isso determinante para estes segmentos que a Indústria do Investimento Imobiliário seja motivada a desenvolver cada vez mais a sua actividade.

Começam desde já, embora de uma forma introdutória e superficial, alguns investidores institucionais estrangeiros a olhar para Angola, focando a sua atenção nos retornos que o país oferece, não sendo contudo o bastante, pois há o sério problema da lei do arrendamento, dos licenciamentos e da propriedade horizontal, a inscrição nas finanças, o registo nas conservatórias, como também, e principalmente, da legislação que regula as sociedades gestoras, sendo estes temas fulcrais para o desenvolvimento consistente do mercado e o investimento internacional.

Gestão de condomínios: ainda tudo por fazer

Esta é uma área em que se sente um completo desconhecimento por parte do mercado, transversal aos vários subsegmentos, quer sejam residencial, escritórios ou industrial.

Se compararmos os valores praticados em Angola, com a maior parte dos mercados internacionais, acharemos estes bastante elevados. Contudo ter-se-á de ter em conta factores que são quase exclusivos de Angola, em que, além dos normais custos num corrente condomínio, existirão outros muito significativos como geradores eléctricos, seu consumo, fornecimento de combustível e manutenção, bombas de água, tratamento, fornecimento e acondicionamento, especial manutenção do ar condicionado e uma miríade de outras acções de manutenção menores mas não menos necessárias.

Poucos saberão que um edifício sem manutenção ou com manutenção deficiente, poderá ter um custo quase idêntico ao da construção, se considerarmos um período de vida de 50 a 60 anos e a preços constantes. Assim e dada a pouca maturidade do mercado e a quase ausência do compromisso dos particulares para o tema, poderá assistir-se a uma deterioração rápida dos activos imobiliários. Torna-se determinante uma atitude pedagógica das entidades governamentais e dos agentes do mercado para esta importante tarefa.

Fonte: Abacus Savills

Fonte: Abacus Savills

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